|
Nenhum
grupo religioso protestou nem houve tumulto. A entrada do show da
banda norte-americana Marilyn Manson, anteontem à noite no
Olympia, só não foi pacata por causa dos adolescentes
aglomerados na rua e pela aparição de Zé do
Caixão.
Em
uma limusine preta e acompanhado por duas "diabetes",
José Mojica Marins, o Zé do Caixão, chegou
precedido de um carro fúnebre da funerária São
Caetano, pouco antes das 21:30. Seu cortejo contava ainda com rapazes
usando máscaras de Jason - o psicopata assassino da série
cinematográfica "sexta-feira 13". Dentro do Olympia,
ele foi ovacionado pelo público de Manson.
Alguns
carros da Polícia Militar e 12 comissários de menores
(voluntários da Vara da Infância e da Juventude da
Lapa) faziam a fiscalização. A fiscalização
intensiva foi pedida pela promotora de "Justiça"
Luciana Bérgamo Tchorbadjian, 29, e tinha como objetivo impedir
a entrada de menores de 16 anos desacompanhados.
Anticristo
Na tarde de anteontem, Marilyn Manson, "o Anticristo do final
do século", deu uma entrevista coletiva à imprensa
brasileira.
"Qualquer
um que tente substituir a idéia de Deus na mente dos adolescentes
dos Estados Unidos assusta o país", afirmou, sobre as
críticas que recebe na América. Completamente maquiado,
já às 14h, ele apareceu vestindo um robe marrom com
gola e punhos de plumas. Disse que Trent Reznor, da banda Nine Inch
Nails, é apenas "uma gravadora" e que , no estúdio,
sua contribuição é ensinar "como usar
drogas". O líder da MM contou ainda que está
escrevendo um livro sobre sua infância e que gosta de ouvir
Pink Floyd, David Bowie e Radiohead. Sobre os rumores de que interpretou
o garoto Paul Pfeiffer na minissérie "Anos Incríveis",
Manson ironizou: "Participei sim, era a Winnie Cooper, só
que tirei os seios".
Disse
que não teme a igreja, nem os terroristas e só anda
acompanhado de seguranças por causa das mulheres, que não
param de atacá-lo. Perguntado sobre o homossexualismo, Manson
atacou: "Você pode experimentar muito com o seu corpo,
mas é seu coração que determina se você
é gay ou não. Se você me chupasse, mas não
me amasse, não seria gay".
Nós
precisamos de um Marilyn Manson
Por: Erika Palomino
Colunista da Folha de São Paulo:
Marilyn
Manson fez um show mais para Superstar do que para Anticristo. A
apresentação provoca uma sensação de
esquisitice, mas com uma estratégia tão calculada
e articulada que não chega exatamente a chocar.
Mesmo
com tantas tentativas marketeiras. Por exemplo, quando aparece como
um político num palanque em "Antichrist Superstar".
Acompanhado pelo público, que grita "hey,hey" de
punho erguido, ele rasga páginas da Bíblia. Além
disso, apenas proclama alguns palavrões bobos e um "filho
da puta", em português. Se Manson é um "poseur",
ele atua de modo inteligente e moderno. Seu look e sua movimentação
são sua principal arma. Com cinta-liga e meia rasgada usadas
com um tapa-sexos que o deixava praticamente nu de costas, coturno
e luvas, Manson é produto legítimo do decadentismo
dos anos 90.
Ele
anda pelo palco como se fosse cair; mexe os braços como um
espantalho; as pernas são viradas para dentro. Doentio. Em
"Sweet Dreams", cover do Eurythmics, vai para o chão
e se rasteja, cantando com voz intensa e quente. Quebra uma garrafa
no palco, aparecendo sujo de "sangue". "Eu vou morrer",
grita: o efeito cênico é sensacional, como quando ele
canta sob máquinas de espuma, tipo neve. O som é agressivo,
mas bem delineado, ganhando consistência com bases eletrônicas
pré gravadas. Manson só pega a guitarra em "Dried
Up, Tied and Dead to the World", bom momento, junto com "The
Minute of Decay", "The Beautiful People", "Tourniquet"
e "Lunchbox". Seu ótimo show prova que a cultura
pop desta década precisa, sim, de um Marilyn Manson.
O teatro de Marilyn Manson:
O
cantor deu aos 4 mil fãs que compareceram ao Olympia anteontem
o que eles esperavam: visual bizarro, extravagância e provocação
Por:
Marcos Filippi
Jornal Da Tarde:
O
cantor norte-americano Marilyn Manson e sua banda homônima
realmente sabem trabalhar muito bem com marketing. Desde que foi
anunciada a vinda do grupo ao Brasil, que fez apresentação
única segunda-feira no Olympia, o músico* passou a
explorar as "histórias" de que era o anticristo
e que faria autofelação e autoflagelação
no palco. Com isso, ganhou atenção de jornais, revistas,
emissoras de televisão e aproximadamente 4 mil fãs
- alguns com os rostos maquiados ao estilo Manson - que foram ao
espetáculo e proporcionaram um show à parte. Antes
da apresentação começar, ocorreu um verdadeiro
espetáculo do lado de fora da casa noturna. Enquanto dezenas
de fãs apareciam com rostos pintados e pesados casacos pretos
em homenagem ao ídolo, malabaristas contratados pela rádio
Brasil 2000 - que patrocinou a apresentação de Manson
em São Paulo - cuspiam fogo no meio do público. Mas
o principal momento deste espetáculo improvisado ocorreu
quando um carro funerário abriu caminho para uma limusine.
Quem esperava ver Marilyn Manson saindo do luxuoso carro acabou
se deparando com o cineasta Zé do Caixão e duas "diabetes".
O
"show" do lado de fora da casa só não foi
completo porque a prometida manifestação supostamente
organizada por fanáticos religiosos contra a presença
de Manson na cidade não ocorreu. Isso acabou frustrando alguns
fãs que foram ao Olympia preparados para a "guerra santa".
O fã que se identificou apenas pelo nome Antônio chegou
a levar ao espetáculo um cartaz com o retrato da princesa
Diana acrescido de um detalhe: Lady Di, com os olhos pintados, parecia
um clone Manson. "É para chocar mesmo", justificou-se.
Apesar de tudo, no show de Marilyn Manson nem polícia, nem
departamento médico instalado no Olympia tiveram muito trabalho.
A PM registrou 5 casos de briga e os médicos atenderam 40
fãs com falta de ar e pequenas escoriações.
Por:
Marcos Filippi
Crítica Do Show:
Marilyn
Manson deu ao público aquilo que todos desejavam: circo.
Quem foi ao Olympia queria ver as extravagâncias do ídolo
em cima do palco. E, nesse ponto, o show foi fantástico.
Ao som de Dried Up, Tied and Dead to the World** muita fumaça
e luz, Marilyn Manson entrou no palco vestido com espartilho, uma
sunga minúscula e um colete de pele. Zim Zum (guitarra),
Twiggy Ramirez (baixo), Ginger Fish (bateria) e Madonna Wayne Gacy
(teclados) também vieram com seus modelitos andróginos.
No final de Sweet Dreams, Manson simulou - ou não? - um corte
em seu peito. Mas foi em Antichrist Superstar que o cantor mostrou
mesmo sua irreverência. Em cima de um púlpito e vestido
de religioso, Manson rasgou uma Bíblia. Musicalmente, o show
teve bons momentos - como em Tourniquet e The Beautiful People -
e outros entediantes. Valeu pelo circo.
Por:
Marcos Filippi
|