Eram 4:40 p.m quando o telefone tocou no meu cubículo "Você terá 15 minutos" disse o publicitário do outro lado da linha. Um momento passado e depois uma outra voz "Alô? aqui é o Marilyn Manson"
Embora Manson, nascido Brian Warner, crescido em Ohio, no Sul da Flória é onde ele começou musicalmente. De fato, sua primeira apresentação foi no Churchill's Pub em 1990 abrindo para os Goods. Recontando seu passado, ele falou devagar, pausando entre as palavras. Ele falou sobre seu uso com drogas, seu divórcio, seu novo relacionamento e seus momentos de lucidez como Brian Warner. Depois de 10 minutos, me senti como quem estivesse falando com algum cara no bar.
Ele estava no meio da explicação de seu mais novo projeto de filme quando a linha caiu. Eu olhei para o meu gravador digital plugado no telefone. Meus 15 minutos acabaram. Eu bati no receptor. Eu estava suando "como foi?" perguntei à um colega de trabalho. Derrepente o telefone tocou "hey, desculpe... onde nós estávamos?" Marilyn Manson tinha me ligado devolta.
"Minha vida é uma experiência paranormal" ele diria mais tarde quando discutíamos sobre mitologia cristã e vampírica, sua sociedade na Igreja do Satã e sua amizade mais tarde com Anton LaVey "Eu bebo absinto numa base diária. Eu passei por períodos onde eu tive tons e tons de coisas destrutivas de mim mesmo" mas nós começamos com os básicos até as coisas tomarem um rumo mais filosofal:
O que você acha de Miami?
O Sul da Flória é um bom lugar para começar a turnê porque lá é onde eu comecei. Esse novo CD (Eat Me, Drink Me) é realmente significante para mim como pessoa porque eu sinto que é uma ressureição do período onde eu não queria fazer mais música. Então eu tenho um público considerável para começar a turnê lá. Todo mundo que me odeia ou quem eu fodi estará lá para me chamar de Brian, ou me esperar para que eu lembre deles por algo que provavelmente não foi a coisa mais legal no passado.
As pessoas ainda te chamam de Brian ou "hey, você fodeu minha namorada"?
Não exatamente mas há uma regra geral que se alguém pergunta onde o Brian está, então é alguém que eu não sou próximo. Mesmo nos meus relacionamentos mais íntimos, ninguém me liga. Não é porque eu estou tentando esconder nada. O mundo conhece meu nome e ao passar dos anos você se torna conhecido pelo que você se torna conhecido. Então não é o segredo para pegar backstage.
Você sempre é Marilyn Manson?
Um melhor modo de entender que eu cresci para me entender no palco e fora do palco, não é a diferença entre Brian Warner e Marilyn Manson; aquelas duas séries de palavras são facilmente permutáveis... Foi uma escolha de que se eu quisesse ser alguém para me comunicar com o resto do mundo. Eu acreditei que gastei maior parte do meu tempo falando sobre meus sentimentos para estranhos. Eu não conseguiria fazer as pessoas mais próximas de mim me entenderem e eu não pude me entender. Eu acreditei ao invés de mudar o que eu sou para o público, eu tive que mudar o que eu era para as pessoas em torno de mim. Eu tive que ser levado de mim mesmo. O que eu sou e o que eu crio sempre tem que ser um dos mesmos ou ambos caem e morrem. Voltando para fazer esse CD, eu gosto de ser eu. Não significa que eu sou feliz e a vida é alegre mas eu estou aproveitando a vida melhor do que ninguém... talvez mais assim.
Obviamente. [Risos] Você projetou um set de cartas de tarô?
Eu nunca tive um set inteiro, infelizmente. Eu gostaria de ter mas foi mais projetado para representar o trabalho de arte do Holy Wood. Houve um tal elemento que eu era fascinado sobre uma matéria objetiva. Mas estranhamente o suficiente, esse novo CD que eu fiz genuinamente representou o deck de tarô mesmo sem falar sobre ele. Há muito simbolismo... que tem tornado minha composição interior e modo de pensar depois de anos escrevendo material sobre tarô e alquimia. Eu não tive que falar sobre. Eu apenas estava escrevendo material como você diria, em um diário. Quando eu olho pra trás eu posso ver que há mais simbolismo relatado do que eu tinha pretendido. Não é algo que eu faço todo dia; é algo que eu aprendi. O modo que eu vejo sinais e coincidências.
Uma vez eu li cartas de tarô. Foi tipo de surpresa.
Esse é o modo que eu deveria ser. Se o real é estar sempre certo. Eu me recusei a escutar alguns avisos no passado e eles voltaram para me assombrar. Sabe, você está vendado pelos relacionamentos e você é avisado que isso não é certo. Você pensa que você pode sentir o destino. Eu recentemente tive minhas cartas de tarô lidas por um amigo. Ele me disse que nesse momento... esse CD pela primeira vez eu realmente me defini como pessoa.
Você acreditou nisso?
Bem... aquilo não era o que eu tinha pedido pra ouvir. Mas eu acredito agora.
Como você negocia com o remuinho de rumores que te bisbilhotam?. As pessoas me querem para te perguntar sobre o divórcio, e sua plástica no nariz e sua nova namorada...
Bom, eu tenho usado para fazer a diferença entre realidade e ficção. Algo para meu benefício e eu não digo na imprensa. Eu digo... A última vez que eu estive em casa, eu tive luzes de cinema em torno dela ao invés de lâmpadas apropriadas. Eu sei para estar num set de fotos ou um filme, ou um vídeo ou alguma coisa. Se tornou algo como um filme de Fellini.
Por que eu deveria tentar incomodar tentando ser normal e ajustado?. Qual e o que aconteceu para mim além das certezas e para o fim do meu casamento?. Eu era esperado para conformar um pouco mais do que o público queria. Porque não houve expectativa do relacionamento... que aquilo era o que eu queria provar meu valor como um parceiro. Se eu derrepente queria ser tudo o que eu sou contra. Eu escrevi uma música sobre meus sentimentos para o público perceber e como aquilo destrói uma pessoa...
Você ainda está pintando?
Eu não tenho tido chance. Quando eu estou na estrada é impossível. Mas sim.
Eu li Long Hard Road Out of Hell e ouvi que você está trabalhando numa nova novela?
Ainda está em progresso. Eu tenho muitas histórias pra contar que eu tenho certeza que seria interessante pras pessoas. Há uma porção de material que eu tenho que finalizar quando a turnê acabar. Há pares de filmes que eu fiz; os filmes ainda não vão sair. Eu escrevi um filme sobre Lewis Carroll que eu quero dirigir. Eu estava suposto a começar no fim do ano passado mas eu achei melhor decidir fazer o CD e adiar o filme. Eu encontrei muitas coisas em comum com Lewis Carroll. O livro inteiro Alice no País das Maravilhas é sobre a perda de indentidade. Ela fica pequena; ela não consegue lembrar seu nome. Eu acredito agora que eu estava tornando -
Alô, alô? (até esse momento da entrevista, meus 15 minutos tinham acabado e nós fomos cortados. Dois minutos mais tarde meu telefone tocou)
Desculpe... qual foi a última coisa que você escutou?
Você estava falando sobre Lewis Carroll
Ah sim. Eu estava me tornando um qualquer no papel que eu estava escrevendo... ou estava quase no papel. Alice no País das Maravilhas é mais do que apenas uma fascinação minha, é parte da insipiração para o Eat Me, Drink Me. Tão bem quanto a mitologia vampírica que é muito relatada no cristianismo. A idéia de consumir alguém ou ser consumido é o que existe na religião e como uma pessoa eu sinto objetivado como um produto a ser consumido. Muitas dessas coisas estavam indo na minha cabeça e o CD é o resultado final disso.
Você se vê como um produto?
Tão longo como eu estou em controle do que eu sou, depois eu não tenho problema com isso. O único modo que a arte pode ser arte é se o artista e o que ele cria são únicos e do mesmo. Quando eu comecei a separar os dois minha criatividade morreu e eu não tive sentimentos ou desejo de viver. Agora eu nunca posso ser separado pela minha criatividade. É isso porque eu não posso ser Marilyn Manson mais do que eu não posso ser Brian Warner. Eu não posso sair do que eu penso e é por isso que eu escolhi o nome Marilyn Manson. Apenas para definir minha personalidade.
Isso é bem intenso [Risos]. Ok... Você escreveu algumas canções sobre drogas [Risos]. Para o quê você tem dito sobre separar o trabalho da sua vida...
Bem... eu passei por períodos onde eu tive tons e tons de coisas destrutivas de mim mesmo. Drogas, ácool e afins. E lá houveram períodos onde eu estive completamente depressivo e depois aqueles períodos onde eles se tornaram único e o mesmo. Qualquer um que tenha algum senso de inteligência sabe que sim, as drogas causam muitos problemas na vida. Muitas pessoas também fogem desses problemas e torna-se um ciclo. Não significa o que você está fazendo, é porquê.
Eu bebo absinto numa base diária se eu me sentir bem. Agora eu não estou fazendo porque estou infeliz, é porque eu aproveito. Eu percebi que minha vida se torna muito melhor junto se eu aproveito o que estou fazendo. Não tem tantos altos e baixos. Eu tenho um arco diário de altos e baixos e você precisa daquilo para ser feliz. Eu não quero nada para ser certo, mesquinho e normal. Eu não quero nada para ser caótico o tempo todo. Se você está fazendo algo porque você é miserável, depois você é condenado. Felizmente eu estava ábil a pegar eu mesmo para sentir miserável. Eu apenas tive que me convencer que isso não era o modo que eu quis as coisas para ser. No CD eu explico tudo o que eu estava indo através.
Esse último CD, Eat Me, Drink Me?
Sim... é uma reencarnação de sortes. De me trazer de volta para quem eu comecei sendo porque eu fui levado disso. Esse CD é mais do que próximo à mim. Pessoas que não me conhecem, pegam o grande senso da minha personalidade nesse CD... Pelo menos quando estou na minha vida agora. Eu apenas acordaria e escreveria uma música. Esse CD começa dizendo "6:00 am christmas morning" porque é quando eu estava escrevendo. Música tem que ser o centro da minha vida. Eu acho que antes de fazer esse CD ano passado, eu estava escutando apenas alguns CD's: Purple Rain e Diamond Dogs do Bowie... PJ Harvey... Eu estava escutando Radiohead. Todos esses CD's têm uma idéia obscura e romântica da vida. Eu estava assistindo filmes como Bonnie e Clyde, Harold e Maude, True Romance.
Isso foi a coisa pós-divórcio?
Não, porque esse CD foi escrito bem densamente disso. Não era realmente uma indicação sobre qualquer um. Esse CD não é sobre meu novo relacionamento ou meu relacionamento passado. É apenas sobre mim e o que aconteceu através. Se vem através de como tornar-se mais humano... que diz muito sobre como eu me considerava desumano.
Por que você não vive por ninguém exceto você mesmo?
Bem, eu também aprendi sobre redenção e sacrifício. Quando você olha as letras, são sobre a voluntariedade de pular fora de um penhasco com alguém. É difícil encontrar alguém que você possa compartilhar o que sente. Muitas pessoas estão com medo de ter aquela sorte do compromisso. Quando você não acredita em você mesmo, você vai cair daquele penhasco e morrer. As pessoas interpretam mal o sacrifício como "O que eu faço para sair disso?" mas isso não é um sacrifício. Quando você sacrifica, você apenas doa e quando você pega o que você quer de volta. Quando eu encontrei alguém que eu estava querendo fazer aquele sacrifício para... eu encontrei tudo dessa relação no Cristianismo e mitologia vampírica porque todas aquelas histórias eles tinham que sacrificar todos.
Você ainda é um membro da Igreja do Satã?
Bem... Anton LaVey foi morto há pouco tempo. Ele me mentou num nível filosofal. Eu o considerava um amigo. Eu não me sinto como um porta-voz deles. O fator definidor disso é a individualidade e não ter medo de acreditar em algo que muitas pessoas ao seu redor não... e não ficar envergonhado de si mesmo por acreditar em algo diferente.
Você teve alguma experiência paranormal?
Eu penso que geralmente tenho uma vida paranormal. Mas tão longe quanto os fantasmas, nada específico. Você tem que considerar o valor ou a queda de experimentos com as portas da percepção bem abertas. Bebendo absinto e coisas assim... tem aquela sorte da coisa existir na sua mente, ou no mundo real?
Sendo objetivo. Você toma absinto todo dia?
Bem, não todo dia... Hoje eu não bebi.
Você alucina quando bebe?
Eu não diria que é fácil de definir. Eu tenho bebido por algum tempo. É o único álcool que eu bebo porque eu realmente não gosto dos efeitos dos outros álcools. Eu sempre suportei daquilo que eu sinto, que eu tenho um senso suave de... da habilidade de prever o resultado. Eu não gosto de coisas que estão completamentes fora do seu controle.
Fonte: Manson USA