Entrevistas

Entrevista concedida por Mr. Manson para a revista Circus. 17-Dezembro -1996.

- Esse é o seu bebê. Antichrist Superstar é provavelmente o que você mais tem orgulho , até agora.

+ Absolutamente. Esse álbum foi tudo em que eu trabalhei dedicadamente. Os dois primeiros álbuns eram pedaços de um quebra-cabeça que estava se desenvolvendo, e esse é o resultado final. A sua essência estava conosco desde o começo; e agora é o momento certo para esse álbum. O tempo é uma coisa muito importante, e esse é o tempo certo.

- O que estava faltando antes?

+ Aconteceram diferentes transformações que nós tivemos que passar, musicalmente e mentalmente. E nossos fãs tiveram que caminhar passos severos até chegarem a ponto de apreciar esse álbum. E todos os americanos em geral não seriam tão afetados como serão agora, se o trabalho tivesse sido lançado antes.

- O que faz esse álbum se destacar dos outros dois?

+ Estou muito feliz porque eu evolui muito liricamente. Passei muito tempo tentando extrair coisas de dentro de mim que eu normalmente não teria feito. E musicalmente eu acho que nós fomos dessa vez muito mais experimentais do que nós fomos no passado. É simplesmente um som diferente. Há muitos caminhos que nós poderíamos escolher. Muitas bandas fazem do seu segundo álbum uma repetição do primeiro. Nós preferimos desenvolver e continuar a crescer em direções diferentes.

- O álbum tem um tipo de tema e ele se desenvolve em cima disso. Alguma música foi deixada de fora porque elas não se encaixavam no tema?

+ Tudo se encaixa porque tudo que eu escrevi no passado ficou guardado, e faz a mesma linha de tudo no álbum. Nós escolhemos as músicas mais fortes e aquelas que iam passar nossas idéias do melhor modo possível. Muitas músicas não foram colocadas. Nós estamos num cenário muito produtivo ultimamente. Twiggy [Ramirez, o baixista] não tinha escrito nenhuma das músicas do Portrait of an American Family, então musicalmente era como nascer de novo nesse disco porque eu escrevendo músicas com ele era como escrever o primeiro álbum de novo. Era um tipo de excitação experimental.

- Como o processo de composição das músicas mudou do primeiro álbum pra cá?

+ Na época do Portrait, a banda era de alguma forma desigual musicalmente, no sentido de que nós dávamos um jeito, mas cada um fazia sua parte. Mas o Antichrist era tão específico. Todas as músicas já estavam imaginadas, na minha cabeça. Não que fosse indemocrático, não tinha jeito de ficarmos dispersos em direções diferentes. Eu sabia o que tinha de ser.

- Como a saída do guitarrista Daisy Berkowitz afetou o resultado desse álbum?

+ Isso fez o resultado do álbum muito melhor no final. Ele estava resistindo muito a trabalhar nesse álbum, porque ele tinha escrito apenas em três ou quatro músicas. Houve uma espécie de colisão de egos. Eu não achei que seria justo deixar o álbum sofrer por causa disso. Era tudo tão óbvio, nós sabíamos o que queríamos e eu não queria alguém que não fosse parte daquilo e não entendesse o que estava acontecendo. Isso tornaria o álbum impuro. A decisão de romper foi tomada por ambos, eu e ele. Ele queria tomar seu rumo e fazer o que gostava, e acho que estamos todos mais felizes agora. Ele pode fazer o que ele quer, e eu também. Twiggy tocou 90% da guitarra do álbum, e eu fiquei muito feliz com isso. Eu toquei algumas partes e Trent [Reznor, co-executivo] tocou em uma faixa ou duas.

- Como você escolheu, e nomeou Zim Zum, o substituto de Daisy?

+ Nós pusemos alguns anúncios e recebemos um monte de respostas. Foi realmente muito difícil de achar a pessoa certa. Muitas pessoas acharam que o visual iria fechar o contrato por eles, mas eu estava procurando que entendia e tinha confiança em si mesmo e seria capaz de lidar com pressão quer iria vir nos próximos anos. E Zim Zum, me mostrou que era uma pessoa que sabia o que queria e tinha certeza de si próprio. Ele era muito confiante do seu trabalho, e só por encontrá-lo, antes mesmo de vê-lo tocando, eu sabia quer era o cara certo. Provavelmente muitas pessoas têm tentado descobrir em que serial killer Zim estaria se referindo, mas Zim Zum faz muito mais parte de Antichrist Superstar do que de Marilyn Manson. É a entidade que nós nos envolvemos. O nome dele é derivado de um ritual religioso bem arcaico. Um nome vindo da Kabbalah, religião hebraica. Ele refere a um anjo que faz o trabalho sujo de deus.

- Te incomoda saber que alguns fãs preferem seguir você a seguir religião ou governo?

+ O que eu tenho percebido de uns anos pra cá, depois de muita contemplação, escrevendo muitos sonhos que tive, vendo meu próprio futuro e prevenindo coisas, eu percebi que sim, de várias formas nossos fãs estão abandonando o Cristianismo e me escutando. Mas o que eu percebi é que eu não posso simplesmente dizer às pessoas para fazer isso ou aquilo, e não os dar uma direção para ir. Eu acho que as pessoas precisam de uma espécie de líder. Isso é um tipo de contradição, isso é um paradoxo. Eu acho que para nós nos desenvolvermos como sociedade, existem necessidades, precisamos de poderosas formas de arte e indivíduos diretos que irão encaminhar massas à um magnífico senso de inteligência.