Entrevistas

Entrevista com John 5.

Ele realizou shows com o ex-vocalista do Judas Priest Rob Halford, com o roqueiro David Lee Roth e com a Diva country K.D. Lang.

A união com o Manson foi uma surpresa. “Apesar de eu nunca te-lo visto ao vivo, eu era um grande fã de Manson”, explica John5. “Quase vi uma apresentação dele ao vivo em 98, quando eu estava tocando com Halford na Europa, mas Manson cancelou o show. Fiquei arrasado. Quando eu voltei pra casa depois da turnê, o empresário do Manson me ligou e perguntou se eu gostaria de conversar com o Manson em um almoço. Encontrei-me com ele no Gaúcho Grill, em Los Angeles. Ele me disse sobre os problemas que ele estava tendo com os guitarrista e me perguntou se eu queria entrar na banda e me deu o nome de John 5. Foi muito empolgane como tudo aconteceu tão rápido”.O guitarrista entrou em tempo de tocar a turnê Mechanical Animals e participar da composição do material para o mais recente lançamento de Manson, o álbum Holy Wood (Universal). “O álbum é um trabalho conceitual” diz John5. “As musicas se conectam através de temas musicais e melodias recorrentes. Fazer o álbum foi uma experiência intensa, porque havia algo de sobrenatural envolvendo o processo de gravação. As maneiras incomuns com que gravamos sons ajudaram a fazer de Holy Wood um disco interessante de se ouvir”. As experiências de John5 em tocar com diversos artistas não foi suficiente para prepará-lo para os shows autodestrutivos de Manson, para as gravações de Holy Wood na casa mau – assombrada de Harry Houdini ou para gravar na chuva. Aqui está a historia de um guitarrista que, mesmo exposto a desafios, manteve a sua sanidade tocando com qualidade.


Como foi o primeiro show com o Marilyn Manson?
Foi uma apresentação transmitida para o mundo inteiro, no MTV Vídeo Music Awards. Eu não fazia a menor idéia como Manson era no palco porque nunca estive em um de seus shows. Quando assisto ao vídeo dessa apresentação, chego a conclusão que eu não fazia a menor idéia do que iria acontecer. Mas foi uma ótima estréia ao vivo.

Como trabalhar com Manson difere de suas experiências musicais anteriores?
Toda situação é diferente e existem níveis de diversão distintos. O trabalho com k.d. lang era divertido porque adoro música country. Compor músicas e tocar com David Lee Roth foi um sonho de criança que se tornou realidade. Trabalhar com Rob Halford foi uma experiência impressionante. Ele é o deus do metal. Mas, com Manson, é a primeira vez na minha vida que me sinto parte da banda e não apenas um sideman.

Você teve de modificar seu estilo para se ajustar à banda de Manson?
Não, porque tenho uma abordagem pessoal em relação ao estudo – sempre pratico um estilo de música diferente da banda com a qual estou tocando. Por exemplo, se estou em uma banda country, toco metal ou jazz. Agora que estou nessa banda de heavy metal, estudo bluegrass e música country o dia inteiro. Tocar estilos que soam diferentes da banda em que estou me permite cobrir todos os gêneros, aprimorar a minha técnica e manter uma abordagem nova em relação ao instrumento. Também tento aprender algo novo todos os dias – estou sempre lendo livros de teoria musical.

Descreva seu processo de gravação no Holy Wood:
Foi um processo em grupo porque queríamos que o disco tivesse um som inovador. Manson disse isto na primeira vez que a banda fez uma jam session com as musicas, antes de gravá-las. Muito legal.

Como o álbum foi gravado?
Em vez de irmos a um estúdio comum, alugamos a casa de Houdini. Levamos um antigo gravador analógico de fita e uma mesa vintage usada para as gravações. Usamos Pro Tools para a edição. Foi uma viagem porque acreditasse que a casa é mau – assombrada e coisas estranhas aconteciam o tempo todo. Certa noite o nosso baterista Ginger dormiu na casa e acordou ouvindo musica de piano. Era por volta das oito da manhã e a banda chegaria por volta de uma da tarde. Então ele achou que alguém havia chegado mais cedo. Ele desceu as escadas e andou até o piano que estava atrás de uma cortina para ver quem estava tocando e a musica parou. Ninguém estava lá. Se fosse eu, teria ficado morrendo de medo! Outras coisas estranhas aconteceram – a sala técnica, por exemplo, ficava alagada sem motivo. Era um lugar muito estranho. Fizemos algumas gravações adicionais na casa de Manson, onde os Rolling Stones fizeram “Let It Bleed”.

Como abordou os canais da guitarra?
Fizemos tudo de maneira antiga, estilo anos 70, com aqueles canais poderosos de guitarra bem altos. No Maximo, havia 3 ou 4 partes de guitarras em camadas em cada musica, cada uma com sons muito diferentes. Estou orgulhoso dos timbres do álbum. As gravações soam boas quando você relaxa e as escutas com um fone de ouvido.

Você usou um equipamento básico para solos e bases?
Mudamos de equipamento em cada música – guitarras, amps, efeitos, microfones, salas e tudo mais. Portanto, não consigo lembrar de tudo que foi usado em cada canal ou a maneira como foi gravado. Fizemos um monte de coisas diferentes. As vezes tocamos o canal da guitarra através de fones de ouvido, aumentamos o volume e microfonávamos os fones de ouvido. Usamos todas as partes da casa para gravar. Toquei na cozinha, no banheiro, no quintal e tal. Levava horas para posicionarmos os microfones para captar os sons. Tivemos muito equipamento no estúdio – todo o tipo de coisas estranhas que eu jamais usaria ao vivo. De amps, tinha um antigo European Davoli, alguns Marshall anos 70, um Fender Twin, um Laney e alguns Orange. De guitarras, havia diversas Gibson Les Paul e uma Jackson modelo Randy Rhoads, da coleção do Twiggy. O segundo engenheiro tinha uma ótima Lês Paul anos 70. Ela possuía um timbre tão legal que foi usada em todas as musicas. De efeitos, utilizamos um pedais de efeito Foxx e Electro – Harmonix dos anos 70. Nós experimentamos tudo até encontrarmos o som perfeito. As performances em si não demoraram muito.

Como gravou os sons de violão em Lamb of God?
Usei um antigo violão Gibson anos 52, que também utilizei para gravar partes em In The Shadow Of The Valley Of Death e The Fall of Adam. Em Lamb of God, microfonamos o violão de uma maneira incomum. Havia cerca de 7 microfones posicionados ao meu redor e outros posicionados em volta do violão. Havia tantos microfones que eu não podia me mexer nem um centímetro. Para piorar, foi colocado um grande cobertor em cima de mim para abafar o som. Estava tão quente que eu suava e não conseguia respirar. Eu sabia que tinha que acertar ou iria morres se tivesse que gravar o trecho de novo. Felizmente, consegui registrar rápido esta parte. Em contraste a está experiência, gravei The Fall Of Adam fora de casa, debaixo da chuva. Fizemos varias coisas estranhas para que todas as partes soassem diferentes, mesmo quando usávamos os mesmos equipamentos.

Você utilizou afinações alternativas?
Usei afinações abertas em certas partes. Em Godeatgod, explorei uma afinação bem estranha – do grave para o agudo, B, D, D, G, B,E. Na introdução de The Fall of Adam, afinei F, A, F, Ab, C, F. Por ter tocado em muitas bandas de country, aprendi que as afinações alternativas às vezes soam melhor porque as cordas vibram de maneira distinta em certos acordes e produzem em som mais doce. Quando toco ao vivo qualquer uma das músicas que gravei em afinação aberta, as transponho para afinação padrão e faço o melhor que posso. Não da pra trocar de guitarra no meio da musica.

Como o seu equipamente de show difere do que você usou no estúdio?
Meu equipamento de show é simples comparado a pilha de equipamento vintage utilizado no estúdio. Utilizo dois cabeçotes Laney VH100 – um de reserva – e caixas Laney 4x12. Eles são bem resistentes. Algo vintage nunca sobrevivera a um show do manson!. Ele bate nós meus amps e coloca fogo neles, e os Laney continuam funcionado. Também coloquei todos os meus pedais em um rack atrás do palco, porque, na ultima turnê, Manson destruiu a minha pedaleira. Não existe nada mais estressante do que ter o som da guitarra destruído. Nesta turnê, uso uma pedaleira MIDI Rocktron muito resitente. No rack de pedais há um Boss Super Overdrive, um Ibanez Smash Box, um Boss Chorus, um Ibanez Chorus/Flanger – o pedal mais usado em Holy Wood – ajustado para um som bem agudo, um Guyatone Tremolo e Wah-Rocker, um pedal protótipo Ibanez Lo-Fi, um digital delay Ibanez, um delay Line 6 e um wah e um pedal de volume da Dunlop.

Como ajusta os controles de tonalidade do seu amp para os shows?
Busco uma distorção bem leve e um timbre bastante profundo e grave. Ajusto o ganho por volta do 3, o volume perto do 6, grave no 10, médio no 4 e agudo no 8. Sempre mudo o timbre de acordo com o local do Show. Também uso um sistema direto Palmer – em vez de microfonar as caixas. Portanto, quando Manson destrói o palco, não tenho de me preocupar com os microfones, que poderiam cair ou cortar o meu som de guitarra.

Que guitarras você leva em turnê?
Sempre mudo de guitarras durante o show, então eu levo muita. Minha principal é uma Ibanez AX. É uma ótima guitarra. Com timbre bastante cheio. Tenho quatro delas e varias reservas. Também utilizo uma Ibanez Iceman e 3 Les Paul – uma Tobacco Sunburst Standard, uma Custom preta com 3 captadores, e uma Cherry Sunburst Standard. Para as partes de violão uso um Taylor 914. Nas musicas em que tenho de alternar entre sons elétricos e acústicos, uso uma Ibanez RG com sistema Piezo.

Como ajusta suas guitarras?
Gosto da ação bem baixa, porque meu ataque é muito leve. Nunca quebro cordas. Uso D’Addario .009. na maioria das guitarras Ibanez , e .010 na Les Paul de 3 capatadores. Uso .011 na Ibanez afinada em C#. Também ajusto a correia da minha guitarra bem alta, como um jazzista. A guitarra abaixo da cintura modifica a posição de sua mão. Muitos são capazes de tocar assim, mas eu não consigo.

Que aspectos o ajudaram a se tornar uma músico melhor?
Uma coisa que você tem de entender é que o timbre está nos seus dedos, Page, Van Halen, Hendrix – o som deles está na maneira como eles apertam as cordas e palhetam. Além disso, quando eu era mais novo eu vi Rush ou o começo do The Who, eu podia escutar cada instrumento muito bem, a banda não soava barulhenta – isso inspirou o tipo de som que eu quero. É muito importante que o público consigo escutar cada nota. Meu timbre e guitarra rítmica é bastante limpo e para os solos uso uma distorção mais pesada, mas me certifico de que o som não fique embolado. Se você algum dia for a um show do Manson, escutará cada pequeno grito que minha guitarra dá.