Entrevistas

Entrevista com Manson na i-D Magazine

[iDM] Como você descobriu Lewis Carroll em primeiro lugar?

[MM] Pelo que eu sei, é o segundo livro mais lido depois da bíblia. Todo mundo foi forçado a ler Alice no País das Maravilhas, ou escolheu ler quando eram crianças. Uma coisa interessante é que a Disney nos marcou com a idéia de uma garota loira com um vestido azul mas a verdade é que quando você lê essa não é a descrição real da figura. Então isto lhe dá a oportunidade como diretor, sem ter que escolher um trabalho de artista, para interpretar de maneiras diferentes. Eu queria ficar o mais próximo possível do trabalho dele, com a idéia de tentar descobrir quem ele era através de seu trabalho, porque eu acho que isso é onde a história realmente se projetou.

[iDM] Talvez você poderia aplicar isso á você mesmo?

[MM] Eu acho que isto também é válido pra mim. As pessoas querem perguntar sobre minha vida, mas se você simplesmente olhar para as coisas que eu escrevo, será onde você encontrará a história.

[iDM] Desde o começo você planejou o filme como uma interpretação de Alice no País das Maravilhas?

[MM] A completa condição básica mudou meu profundo entender e procurando isto a criação de Lewis Carroll é uma história mais interessante do que a criação de Alice no País das Maravilhas. Charles Dodgson e Lewis Carroll eram pessoas bem diferentes, tanto quanto a descrição inicial de Robert Louisdo Doctor Jekyll e Mr Hyde.

[iDM] Qual é o seu ponto inicial?

[MM] Muito do filme é isnpirado em seus diários. Não é extensamente conhecido, mas a família rasgou fora muitas passagens de o diário dele, de forma que o dá um pouco de influência para usar sua imaginação.

[iDM] Então, o que você emprega dele?

[MM] Eu acho que a mitologia de Lewis Carroll tem mudado completamente durante os anos, algumas pessoas pensam que ele era um pedófilo ou alguém que era obcecado por garotas jovens, mas ele alguém muito preso em sua infância. Eu acho que quando ele finalmente descobriu que não tinha deixado nada de sua infância ele simplesmente desistiu da vida. A única coisa com a que ele se sentia muito produtivo e realizado era a fotografia dele, e quando fotografia começou a ficar mais fácil fazer, ele desistiu disto e isso foi pouco antes de sua morte. Eu acho que ele sentia que não tinha mais nada para incluir no mundo, eu penso que ele não percebeu a tempo que sua criatividade era a única coisa que você não pode reproduzir. Qualquer um pode comprar um programa para escrever uma música ou um livro, mas você nunca criará a alma humana e é disto que se trata o filme. É a história mais misteriosa que eu poderia contar.

[iDM] Porque você decidiu pegar o papel principal?

[MM] Não era um projeto de bobagens. Se qualquer coisa, modéstia a parte, porque o personagem é muito vulnerável. Eu acho que isto apenas veio como resultado de eu descobrir a mim mesmo relativo á toda tristeza que ele estava vivendo. Isso me fez enxergar muito de mim mesmo apenas lendo o trabalho e vendo de outra maneira – e ele tinha dois nomes, algo que eu realmente poderia relacionar.

[iDM] Havia um boato que Angelina Jolie teria um papel no filme…

[MM] Eu encontrei e falei com Angelina Jolie, mas é algo que os jornalistas transformaram em outra coisa. Mas eu sei que ela foi levada totalmente pelo trailer importunador e gostou da idéia.

[iDM] O quanto radical será o sexo,a violência e a divisão?

[MM] Eu acho que não terá qualquer divisão, já havia muito de “Arranquem-lhes as cabeças” em Alice no País das Maravilhas. É estranho, há provavelmente mais violência referente ás escritas do que eu planejo realmente fazer. Há sexo e obsessão, porque aqui é uma pessoa que acredita-se ter vivido e morrido, sem nunca ter tido uma mulher ou uma família, e eu acho que aquilo o consumiu e era definitivamente parte da insônia de sua depressão.Então há muita fantasia, isso pode ser observado em suas escritas e eu queria interpretar de uma maneira que impressione as pessoas á ver algo que nunca viram no cinema antes. Eu não estou tentando partir de qualquer coisa, diferente de redefinir o gênero de horror e colocar de volta onde começou e com ótimos diretores como Polanski.

[iDM] Era uma de suas intenções para o filme assustar as pessoas extremamente?

[MM] Bem eu não quero ser simplesmente chocante - isso é fundamental. Eu penso que como um desafio não seria pedir muito para ser mais assustador do que os filmes de terror atuais. Enquanto eles são bem sucedidos, eu não quero me ver ao lado de filmes de terror de hoje. Claro, as pessoas estão supondo que eu farei um clipe musical de uma hora e meia, mas isso não vem ao caso.

[iDM] Você mencionou Polanski, você está procurando fazer horror psicológico como Rosemary’s Baby e Repulsion?

[MM] É meu tipo favorito de filmes de terror, mas é difícil de comparar. Até o ponto de fazer você fugir e se sentir diferente, então sim. Serão momentos de tristeza e caráter para que você possa relacionar. Eu espero fazer algo além de tudo muito original.

[iDM] Sempre há uma sensibilidade macabra em todo seu trabalho. Você sente que isso lhe dá menos valor artístico, porque a reação automática freqüentemente provoca?

[MM] Eu estou tão enjoado de pessoas que pensam que arte tem que ser bonita agradável aos olhos. Arte pode ser bonita mas ao mesmo tempo pode ser assustadora, grotesca e horrorizante. Não faz disso menos valioso. Se as pessoas estão assustadas ou chocadas, eles deveriam perguntar por quê, ao contrário de buscar censura reacionária.

[iDM] Você também desenha, então penso que você se considera um artista assim como um ator?

[MM] Sim. A diferença entre os dois é que um ator irá parar quanto terminar de atuar, mas artistas vivem pela arte.

[iDM] Você escolheu as pessoas que trabalharam com você durante esses anos, incluindo os membros de sua banda, isto é devido a seu envolvimento como um artista?

[MM] Havia um verdadeiro conflito com as pessoas que trabalharam comigo, então eu escolhi pessoas que me cercam em minha vida. Eu queria encontrar um grupo de artistas e amigos a quem poderiam ser capazes de abordar a vida da maneira que eu vejo: aquela arte não é arte a menos que o artista esteja vivendo aquilo. Eu queria encontrar outra pessoa assim, e eu encontrei e se tornou este espaço que se abriu e isto conduziu o filme.

{iDM] Você é um dos pioneiros em terror em termos de música, com a visão de pesadelos de seus vídeos e seus shows de arte. Como você vê o filme incluindo em sua paleta?

[MM] Eu sempre senti que sou mais um estudante de filme ao invés de um estudante de música. Toda vez que eu tinha uma recordação, em minha cabeça, tentei enxergar como um filme, e filme é um lugar que eu vejo como uma casa, uma casa assombrada talvez. Com filme você adquire desempenho, música, cinematografia e todas estas coisas eu amo e quando eu ás reúno, penso que eu poderia carregar uma mensagem muito mais importante do que eu jamais fui capaz de fazer em qualquer outro tipo de arte.


(Fonte: i-D Magazine)