Entrevistas

The Dead Rock Star:
Jesus foi o primeiro rock star. A cruz é a maior de todas peças de merchandise na história, maior que qualquer camiseta de show. E Jesus foi o primeiro rock star que morreu. Como Jim Morrison e Kurt Cobain e Jimi Hendrix, ele se tornou imortal quando morreu. Um rock star morto se torna perfeito e será eterno. Ele nunca vai mudar, nunca vai envelhecer, nunca vai sair do seu pico, no momento da sua morte.
Não é só a morte que te transforma em um ícone. É o número de pessoas que estão vendo você morrer, e o jeito que a câmera pode te tornar um mártir. Tinha uma música no meu anti penúltimo álbum chamada "Lamb of God" sobre isso. Ela foi inspirada em Jesus, John Lennon e John Kennedy. Nós não estamos só fascinados com a morte. Nós estamos apaixonados pela morte, porque nós a tememos. E as pessoas que vivem suas vidas perto da morte, ou as que morrem tragicamente, são os que nós vamos fantasiar ao máximo. É escapismo, é espreitamento, é escapismo, é espreitamento, é viver indiretamente. Ou morrendo indiretamente. Jim Morrison tinha uma qualidade shamen com ele; ele foi uma figura como cristo. Ele foi inspirante. Ele comprou a escuridão para a mídia, bem no meio do Verão do Amor. Ele fez e disse o que queria, e ele se comportou como uma criança, o que é admirável e belo. Eu agradeço Jim Morrison por me fazer escrever, e por me fazer querer tomar ácido, e por me fazer querer ficar nu na Florida.
Eu lembro quando li "No One Here Gets Out Alive" quando eu estava no décimo grau, e isso me fez querer escrever. Eu sempre, desde que eu tinha 14 anos, escrevia coisas nos meus jornais, e sempre protegi as coisas que eu colocava no papel. Eu tenho dificuldade
em colocar meus sentimentos e meus mais profundos, e obscuros segredos em um lugar onde alguém possa obtê-los.
A força de Morrison como uma figura histórica está no seu mistério. Acho que o jeito moderno, contemporâneo tratamento dos rock stars na MTV e o mundo bisbilhoteiro da TV são uma grande ameaça a quaquer um que quer reter qualquer tipo de valor histórico. Minha vida inteira, eu tentei fugir de coisas "behind the scenes". Eles tomam a força do que você pode fazer. Se começar a explicar seus truques, então você é um mágico de merda. Eu estou assistindo todas essas outras pessoas zoando o que poderiam ser grandes
obras de arte. Você pode ser lendário por não fazer por causa dessa cultura bisbilhoteira que nós vivemos. Você pode ser famoso por "sobreviver" de algo, ou por casar com um milionário, ou por ser uma vítima de um crime. É uma época estranha a que estamos agora.
Com Jim Morrison, é o elemento sexual negro. Você quer crecer como ele. Como Kurt Cobain, é sobre relatar sua dor e entender como a porta da morte está perto. Quando eu estava para começar a banda em 1989, eu ainda era um jornalista, e eu consegui um pacote promocional da Sub Pop records com Bleach e uma foto preto e branco do Nirvana. Tinha algo bem escuro e sedutor sobre o disco. E aquele sentimento bate em você toda vez que ouve alguma música deles. Você podia ouvir uma lágrima na voz dele, a dor que estava lá.
Quando Cobain morreu, ninguém esteve muito surpreso. Eu fiquei desapontado, mas acho que uma parte de mim ficou aliviada porque parecia que ele estava sofrendo muito nos últimos anos de sua vida, e o sofrimento tinha terminado, se havia. Ele odiaria ser um rock star como ele acabou sendo. Mas como Morrison e Hendrix, ele foi a prova que a mais incrível vem de gente que vivem suas vidas como se não houvesse amanhã.